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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Corpo e Alma, Macho e Fêmea

Gn 1.27;2.7
Cada ser humano neste mundo é dotado de um corpo material animado por um eu pessoal imaterial. As Escrituras chamam este eu de “alma” ou “espirito”. “Alma” dá enfase àquilo que é distinto na personalidade consciente de uma pessoa; “espirito” carrega consigo não só as nuances da personalidade derivadas de Deus, mas também a dependência dele e a distinção do corpo como tal.
O uso bíblico desses termos leva-nos a dizer que temos e somos tanto corpo, quanto alma e espirito, mas é erro pensar que alma e espirito são duas coisas diferentes; o ponto de vista tricotômico do homem como corpo, alma e esprito é incorreto. A ideia comum de que a alma é apenas um orgão de percepção deste mundo, enquanto o espirito é um orgão distinto, que nos permite estabelecer comunhão com Deus, conduzindo à vida na regeneração, está fora dos padrões do ensino bíblico. Além do mais, um tal ponto de vista nos leva a um antiintelectualismo aleijado, que separa a intuição espiritual da reflexão teológica, empobrecendo a ambos – pois a teologia passa a ser considerada como “coisa da alma” e não espiritual, enquanto a percepção espiritual é vista como não relacionada com a tarefa de ensinar e aprender a verdade revelada de Deus.
A personificação da alma faz parte do desígnio de Deus para a humanidade. Através do corpo experimentamos nosso meio, usufruímos e controlamos as coisas que estão ao redor de nós e relacionamo-nos com outras pessoas. Nada havia de mau ou corruptível no corpo que Deus criou no início. Se o pecado não tivesse ocorrido, o envelhecimento físico e o declínio que conduz à morte, como conhecemos, não seriam parte da experiência humana (Gn2.17; 3.19,22; Rm 5.12). Agora, porém, a corrupção atingiu a todos na sua natureza psico-física, como claramente mostram os desejos desordenados da mente e do corpo, guerreando um contra o outro, bem como contra todas as regras da sabedoria e da justiça.
Na morte, a alma deixa o corpo, mas isso não é a libertação feliz que a filosofia grega e algumas seitas têm imaginado. A esperança cristã não consiste na redenção da alma em relação ao corpo, mas consiste na redenção do corpo. Aguardamos nossa participação na ressurreição de Cristo em e através da ressurreição do nosso corpo. Ainda que desconheçamos, no presente, a exata composição do nosso futuro corpo glorificado, sabemos que haverá uma continuidade com nosso corpo atual (1Co 15.35-49; Fp 3.20-21;Cl 3.4).
Os dois sexos, masculino e feminino pertencem ao padrão da criação. Homens e mulheres trazem em si, igualmente, a imagem de Deus (Gn 1.27), e, em consequência, a dignidade deles é igual. A natureza complementar desses dois sexos visa a uma cooperação enriquecedora (ver Gn 2.18-23), não só no casamento, na procriação e na vida familiar, mas também nas mais amplas atividades da vida. Perceber a diferença entre si mesmo e uma pessoa do outro sexo é uma escola para se aprender a prática e a alegria do apreço mútuo, da abertura, da honra, do serviço e da fidelidade.

Rev. Pastor José Roberto
Imagens: Internet