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sábado, 11 de dezembro de 2010

Mensagem Pastoral - PROXIMIDADE É SEMELHANÇA

Um problema sério e as vezes angustiante para muitos cristãos é sentirem que Deus está longe deles ou eles estão longe de Deus. O que vem a dar no mesmo.
É difícil regozijar-nos no Senhor quando padecemos deste senso de distância. É como ter um claro e quente dia de verão sem sol.
Certamente que o maior mal aqui não é intelectual, e não poder ser sanado com recursos intelectuais; todavia, a verdade tem de penetrar na mente antes de poder entrar no coração, e por isso vamos raciocinar juntos sobre isso. Nas questões espirituais só pensamos corretamente quando com ousadia pomos de lado o conceito de espaço. O espaço tem a ver com a matéria, mas o Espirito independe dele. Pelo conceito de espaço explicamos a relação dos corpos materiais, uns com os outros. Jamais devemos pensar em Deus como estando espacialmente perto ou distante, pois Ele não está aqui ou ali, mas leva o aqui ou ali no seu coração. O espaço não é infinito, e em sua infinidade Ele absorve todo o espaço, “não encho Eu os céus e a terra? Diz o Senhor”. Ele enche os céus e a terra como o oceano enche um balde que afundou nele, e assim como o oceano circunda o balde. Deus o faz com o universo que Ele enche. “os céus dos céus não te pode conter”. Deus não é contido. Ele contém.
Como criaturas terrenas, naturalmente nos inclinamos a pensar mediante analogias terrenas. “Quem vem da terra é terreno e fala da terra.” Deus nos criou como almas viventes e nos deu corpos pelos quais podemos experimentar o mundo que nos cerca e comunicarmos uns com os outros. Quando o homem caiu mediante o pecado, começou a pensar que tem alma em vez de o ser. Faz muita diferença, se o homem crê que é um corpo e que tem alma, ou uma alma que tem um corpo. A alma é interna e oculta, enquanto que o corpo está sempre presente para os sentidos; conseqüentemente, nós tendemos a ser cientes do corpo, e o conceito de perto e remoto, ligado às coisas materiais, parece-nos plenamente natural, mas, só é válido quando aplicado às criaturas morais. Quando tentamos aplicá-lo a Deus, não retém a sua validade.
Entretanto, quando falamos de estarem os homens “longe” de Deus, falamos verazmente. O Senhor disse de Israel: “ o seu coração está longe de mim”, e aí temos a definição de perto ou longe em nossa relação com Deus. As palavras se referem não á distância física, mas à semelhança. As Escrituras ensinam claramente que Deus está igualmente perto de todas as partes do seu universo -Salmo 39: 1-18; contudo alguns seres experimentam a sua proximidade e outros não, dependendo da sua semelhança moral com Ele. É a dessemelhança que produz o senso da remota distância entre as criaturas, e entre os homens de Deus. Duas criaturas podem estar tão perto uma da outra que podem tocar-se, mas dada a desigualdade da natureza, estão separadas por milhões de quilômetros. Pode-se imaginar a presença de anjo e de um gorila na mesma sala, mas a radical diferença entre as suas naturezas impossibilitaria a sua comunhão. Na realidade estariam “longe” um do outro. Para a desigualdade moral entre o homem e Deus a Bíblia tem uma Palavra, alienação, ou profunda separação, e o Espirito Santo apresenta um horrendo quadro dessa alienação e dos resultados que produz no caráter humano. A natureza humana decaída é precisamente oposta à natureza de Deus, como revelada em Jesus Cristo. Uma vez que não há semelhança moral, não há comunhão, e daí o senso de distância física, o sentimento de que Deus está longe no espaço. Esta noção errônea desencoraja e impede muitos pecadores de crerem e voltarem para a vida. Paulo animou os atenienses lembrando-lhes que Deus não estava longe de nenhum deles (Atos 17:28).
Como pode porém o pecador ligar o tremendo abismo que o separa de Deus na experiência real? A resposta é que ele não pode fazê-lo, mas a glória da mensagem cristã é que Cristo o fez (Colossenses 1: 21-22).
O novo nascimento faz-nos participantes da natureza divina. Aí começa a oba de desfazer a desigualdade entre nós e Deus. Daí ela progride pela santificante operação do Espirito Santo, até dar plena satisfação a Deus. Essa é a teologia da matéria em formas como já disse, mesmo a alma regenerada pode sofrer com o sentimento de que Deus está longe dela. Que deverá fazer então?
Primeiro, pode ser que o problema não seja mais uma temporária ruptura na comunhão consciente com Deus devido a uma dentre meia centena de causas, a cura é a fé. Confie em Deus em meio à escuridão até voltar a luz.
Segundo, caso o senso da distância persista, apesar das orações e aquilo que você crê que é fé, sonde a sua vida interior em busca de evidências de atitudes erradas, maus pensamentos ou defeitos de caráter. Essas coisas diferem de Deus e criam um abismo psicológico entre você e Ele. Expulse de si o mal, creia, e o senso de proximidade se restaurará. Deus nunca foi o primeiro a se afastar.

Transcrito- A W. Tozer e Adaptado- Rev. Roberval Lira
Imagem: Joseval Oliveira