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domingo, 9 de outubro de 2011

O que foi o "fogo estranho?'


(Lv. 10:1 e Nm.3:4)
A palavra "estranho" ("zur", em hebraico) tem como sentido principal a ideia de desconhecimento e ausência de relacionamento, como se algo foi alheio a outrem (HARRIS, H.. Laird - org. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo, Vida Nova, 1998. p.385). No texto de Lv 10: 1 temos uma prática estranha ao Senhor, ou seja, que Ele não reconhece. Entretanto, não é fácil discernir o que foi esse "fogo estranho". O ponto de partida para a compreensão do valor que o fogo do altar tinha para o antigo culto israelita é o fato de que a Bíblia deixa a entender que Deus mesmo ateava fogo (Lv.9.24), restando aos sacerdotes a manutenção dessa chama do altar. Eis algumas possibilidades (Bíblia de Estudo Almeida, 2006, p.136) para o pecado de Nadabe e Abiú, filhos mais velhos de Arão: a) O fogo não havia sido tirado do altar como a Lei estabelecia, conforme Lv. 16.12, mas tinha sido um fogo comum. b) O incenso não havia sido preparado da forma correta, conforme Êxodo 30.9. c) A oferta não foi apresentada na hora devida, conforme Êxodo 30.7-9, visto que esse tipo de oferta era reservado para o início da manhã ou para o fim da tarde. A essas possibilidades, Champlin (O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números. v.1. 1ª Ed. São Paulo, Ed. Candeia, 2000, p.509) acrescenta ainda outras: d) Nadabe e Abiú teriam, como o texto supõe, tomado de seus próprios incensários, e não do utensílio sagrado do santuário. e) Teriam oferecido "incenso ao mesmo tempo, quando um só deles deveria tê-lo feito". f) Nadabe e Abiú não poderiam oferecer esse tipo de sacrifício, visto que essa tarefa era da competência do sumo sacerdote, nesse caso, seu pai Arão, conforme Lv. 16.11-13. Nossa posição está mais próxima de dois importantes argumentos: Primeiro, que o fato dos filhos de Arão terem tomado de seus próprios incensários aponta para interesses egoístas e presunçosos em relação ao culto divino. Ex. 30.37-38 lembra que, quem. fizer o sacrifício do incenso para si mesmo e o cheirar, será eliminado do povo. Segundo, Nadabe e Abiú se adiantaram ao processo natural de substituição do seu pai Arão, o sumo sacerdote, o único que poderia oferecer esse tipo de sacrifício, de acordo com Lv 16.11-13. Mas, seja qual for a resposta dentre as seis alternativas acima, o que fica claro no texto é que Nadabe e Abiú morreram porque não fizeram como o Senhor havia ordenado. Poderíamos fazer uma comparação entre o fogo estranho do Antigo Testamento com algumas práticas cúlticas de muitas igrejas ditas "evangélicas" atualmente. Os "sacerdotes" (ou ministros, obreiros, "apóstolos", bispos, pastores, etc) parecem mais atuar como atores, brincando com as coisas do sagrado, parecendo dar-lhes um caráter de legitimidade e seriedade. Mais parecem magos evocando forças que mais pretendem dominar Deus do que estar debaixo de Sua vontade. Têm sido registradas práticas que mais se assemelham a uma espécie de "macumba gospel". Transfere-se o sentido do símbolo para o próprio símbolo, absolutizando o próprio símbolo. A verdadeira adoração só se faz em espírito e em verdade, como nos ensinou Jesus e não da maneira que queremos. Sob a moção do Espírito porque é Ele quem sopra sobre o povo reunido e promove uma nova criação; sob a moção da verdade porque é debaixo das orientações da Palavra de Deus, que é a Verdade, mas, nunca sob a moção de nosso voluntarismo absorto das Escrituras. Imaginemos se o Todo Poderoso fosse agir atualmente como agiu com Nadabe e Abiú. Misericórdia!

Pr, Marcos Antônio Miranda Bittencurt (Professor de Antigo Testamento, Hebraico, Exegese e Hermenêutica do Seminário Batista do Norte do Brasil; Mestre em Teologia, Bacharelando em Psicologia

Imagem: Internet - Google imagens