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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Vocação como alegre mordomia no Reino

Todos temos um chamado do divino para servir a Deus. Essa convicção dá profundo sentido à nossa existência: glorificar a Deus por meio de nossa vocação. Somos servos do Deus Criador e preservador de todas as coisas; somos seus agentes na construção e transformação da realidade tendo como perspectiva o nosso serviço ao rei no seu reino.

Ser Reformado significa um apego irrestrito ao Deus da Palavra que nos instrui e nos capacita a viver para a sua glória desempenhando o nosso papel na sociedade, seja em que nível for, apresentando o fruto de nosso labor como uma oferenda a Deus que nos criou e nos sustenta. O trabalho é graça e o produto de nosso trabalho deve ser uma expressão de gratidão ao Deus que nos vocaciona e capacita. Em nossa gratidão prestar-mos reverentemente culto a Deus. Ele nos chama onde estamos para desempenhar o trabalho que ele tem para nós. A questão fundamental não é primariamente o nosso trabalho, mas sim, a nossa obediência a Deus. O nosso chamado envolve viver a integridade cristã em tudo que fazemos (1 Co 7.20-22).

O pecado trouxe para o trabalho um ônus até então inexistente. O que era prazeroso, agora, em muitos aspectos virou um fardo difícil, quer objetiva, quer subjetivamente: temos de lutar com a natureza que também foi atingida pelo pecado humano, perdemos a dimensão de servir a Deus por meio de nosso trabalho. De forma decorrente surge a exploração; a ambição se intensifica e se diversifica, a competição desleal e extrema nos leva ao estresse e, por vezes, à depressão. Com a complexidade das estruturas sociais, o trabalho se avolumou, havendo exigências múltiplas com as quais nem sempre sabemos lidar. Além disso, paradoxalmente, ele se tomou por vezes em substitutivo para outras necessidades nossas mal assistidas ou frustradas, ainda que não perdendo o seu tom de angústia e dor. Dessa maneira, nos frustramos duplamente, visto que o substituto não preenche as nossas carências. Biblicamente, contudo, é possível amenizar já, nesta existência, a associação experimentada por todos entre pecado, trabalho, fadiga e estresse, considerando que essa dor tem ingredientes físicos, psíquicos e espirituais. Em Cristo, adquirimos uma nova perspectiva da realidade, encontrando o sentido da vida e, dentro dele, o sentido da nossa vocação.

A nossa vocação é servir a Deus e ao nosso próximo dentro da esfera que ele nos concedeu. Por isso, devemos sempre pedir discernimento a Deus no melhor modo de fazê-lo o sem a pretensão à grandeza ou reconhecimento, antes, de glorificar a Deus. O nosso ideal de serviço deve ser o nosso estímulo e recompensa. Se nosso trabalho será considerado um bem pelas pessoas ou não, se teremos sucesso, ou não, deixemos isso com Deus. Alegremo-nos em poder realizar com discernimento e alegria a nossa vocação. Portanto, o exercício de nossa vocação é sempre precedido por uma mente dominada pelo desejo de serviço.

A consagração às nossas vocações revela a seriedade com que olhamos o nosso Senhor e a nossa missão. Devemos, portanto, exercer as nossas vocações com arte e beleza, glorificando a Deus no exercício alegre e comprometido com que ele mesmo, graciosamente nos tem concedido. Curiosamente, é justamente na igreja, no culto comunitário que prestamos a Deus, que encontramos alento e estímulo para exercitar as
nossas vocações em todas as esferas para as quais Deus nos convoca. No culto público, em companhia de nossos irmãos, somos confortados, redirecionados, e, por vezes, encontramos o sentido de nosso serviço a Deus no cumprimento de nossa vocação.
Não há satisfação maior do que atender à vocação de Deus sabendo que fazemos parte do santo e grandioso propósito de Deus sendo agentes de sua graça comum. Quando cumprimos com fidelidade e integridade as nossas vocações, toda a sociedade é beneficiada.

Desse modo, devemos entender que o que nos distingue em nossa vocação é como fazemos o nosso trabalho. Glorificamos a Deus na excelência de nosso trabalho. A Bíblia é muito mais enfática no tratamento a respeito do trabalhador, de como devemos realizar o nosso trabalho motivação e propósito, do que a respeito do trabalho em si. O que torna nosso trabalho aceitável a Deus é a fé que dá significado subjetivo às nossas tarefas e, em geral, se manifesta de forma objetiva no produto final do que fazemos. No entanto, como nos adverte Veith Jr, cada vocação tem as suas próprias tentações: Médicos, não cuidarem de seus pacientes como deveriam pelo fato de receberem pouco pela consulta. Policiais: espancar cidadãos. Negociantes: trapacear. Jornalistas: dizer inverdades. Maridos: maltratar esposa e filhos. Há, sem dúvidas, tarefas mais difíceis de serem executadas devido aos seus possíveis comprometimentos e tentações, contudo, o desafio do cristão consciente de sua vocação é desempenhá-la de maneira digna, como agente de Deus.

Deus nos abençoa em nossa vocação nos munindo do necessário para o seu desempenho digno. Ele nunca nos veste com máscaras para representarmos papéis simplesmente normais antes, se agencia por nosso intermédio nos capacitando para o exercício de nosso chamado. Ele mesmo nos “talha" para o desempenho de nosso chamado. A nossa vocação será sempre um ato de serviço a Deus e ao nosso próximo por meio do cumprimento de nosso chamado onde Deus nos colocou. Precisamos descobrir a alegria de exercer a nossa vocação. Insistimos: Nossa vocação é servir a Deus, não buscar o sucesso. A nossa ênfase não é a recompensa, antes, o ideal de serviço. O sucesso é a obediência integral!

A nossa vocação é múltipla dentro das esferas as quais Deus nos chama a atuar. Precisamos ter sensibilidade espiritual e nos dispor a obedecer a Deus com inteligência, sub missão e determinação.
Certamente a rainha Ester nunca se vira no papel que veio a desempenhar; poderia se contentar em ser mais um lindo rosto. No entanto, não pôde fugir à vocação que gradativamente foi se configurando diante dela.

Devemos aprender que a fé não elimina a nossa responsabilidade de pensar. Pensar não exclui a nossa fé. Ambas as atitudes devem caracterizar a vida do cristão a fim de que a nossa fé seja compreensível e a nossa razão seja guiada pela fé. Ester acreditava no Deus soberano; orou, jejuou e se valeu de sua inteligência. Mesmo que isso aos olhos humanos fracasse, não invalida o princípio de que a nossa fé e a nossa inteligência devem caminhar de mãos dadas em submissão a Deus.

A pergunta de Deus a Moisés é de relevância aqui: "Que é isso que tens na mão? Respondeu-lhe:
Um bordão" (Êx 4.2). O que temos em nossas mãos se constitui em instrumento colocado por Deus mesmo para que cumpramos a nossa vocação.

A força prática da teologia reformada não está simplesmente em seu vigor e capacidade de influenciar intelectualmente os homens, mas no que tem produzido na vida de milhões de pessoas, conduzindo-as, em submissão ao Espírito, à fidelidade bíblica e a uma ética que se paute pelas Escrituras.
A grande contribuição do calvinismo não se restringe aos manuais das mais variadas áreas do saber, mas estende-se à integralidade da vida dos discípulos de Cristo que seguem essa perspectiva atentando sincera, criativa e submissamente para a sua vocação.

Por Rev. Hermisten Maia Pereira
Membro do Conselho Editorial do BP- IP de São Bernardo do Campo, SP 
Imagem: Internet-Google imagens