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domingo, 30 de novembro de 2014

A Autoridade das Escrituras Sagradas



O nosso objetivo aqui é o de levantar uma reflexão em torno do conceito da autoridade das Escrituras. A Bíblia é o livro do cristão e cremos que ela é inspirada por Deus e, por isso, possui autoridade em matéria de regra e fé sobre nossas vidas. A Declaração de Fé de uma das denominações mais importantes em nosso país afirma que "A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana. É o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens.
Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo. Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes e promover a glória de Deus. Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro, e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina. Revela o destino final do mundo e os critérios pelos quais Deus julgará todos os homens. A Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem ser aferidas a doutrina e conduta dos homens. Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo" (Declaração Doutrinária da CBB, encarte na Revista Uma Nova Criatura em Cristo, v.2, P.3,4). Em função de seu valor espiritual, a Bíblia possui autoridade sobre o cristão que a lê. Entretanto, nem sempre os conceitos sobre a autoridade das Escrituras passam pelo crivo da espiritualidade. Vejamos alguns conceitos inadequados.
a) Concordismo - Se a Bíblia foi inspirada por Deus, tudo o que está escrito nela é verdade em matéria de ciência. É uma tentativa de querer "salvar" a Bíblia diante de evidências científicas contrárias a cosmo visão apresentada no texto sagrado. O choque entre a idade média e o período moderno fez com que muitos partissem para essa postura concordista que, em última análise, pretende explicar o Criador.

b) Exegese de conveniência - Não está tanto em moda como antigamente. Mas deve ser apontada aqui. Encontra base no conceito platônico do "Indigno de Deus". Platão dizia que não devemos acreditar em nada que seja indigno de Deus. Quando algo parece ilógico ao bom senso moral, deve-se então interpretá-lo alegoricamente. Observemos a posição do livro de Cântico dos Cânticos no cânon. Como Deus poderia ter inspirado a escritura de um livro que contêm grandes doses de erotismo? Aqui está ex-, pressa uma dicotomia entre a sexualidade e a espiritualidade.

Salva-se assim o livro de Cânticos ao interpretá-lo na alegoria do amor entre o esposo (Deus) e a esposa (Israel). Assim, a morena queimada do sol em 1.5, 6 é uma referência à marcha de Israel no deserto no trajeto para o exílio babilônico; em 4.5, os dois seios da amada que são como os filhos gêmeos da gazela referem-se aos dois reinos israelitas, Norte e Sul, fragmentados politicamente, mas unidos espiritualmente. Entretanto, ninguém interpreta o texto alegoricamente quando se prepara um convite de casamento ou um sermão para o evento nupcial.

c) Leitura fixista da Bíblia e o Anacronismo exegético - Essa postura trabalha a Bíblia como uma bula de remédio. "Está na Bíblia é bíblico". Ser bíblico aqui significaria apenas "constar" na Bíblia. Dessa forma, viajar de avião, o casamento civil, comer de garfo e faca, a preparação de ministros em seminários, não são bíblicos, contudo não são práticas erradas. De outro lado vemos práticas condenadas na própria Bíblia serem utiliza das por grandes servos de Deus, como a poligamia, por exemplo. Sabemos que Abraão teve três mulheres, Sara, Agar e Qeturah, as quais foram instrumentos para o cumprimento da promessa de que Abraão seria pai de multidões. Assim judeus e árabes, por exemplo, têm nele um ancestral comum. O fato de a poligamia constar na Bíblia não a coloca como prática cristã, pois entendemos que o Antigo Testamento nos apresenta uma moral em evolução. A moral definitiva, nós a temos em Jesus Cristo. Posturas do tipo "Jesus saudava com a paz, então eu tenho que saudar com a paz do Senhor"; "Jesus não chamou mulheres para serem apóstolos"; "as mulheres devem estar caladas na igreja, por isso não há base bíblica para o ministério pastoral feminino"; "Jesus andava de burrinho e os pregadores atuais andam de avião". Devemos reconhecer que lidamos de forma conflitante com a Bíblia quando assumimos posturas anacrônicas. Vejamos, concorda-se com a proibição da mulher assumir funções clericais a partir do texto de 1 Corintios 14.34, porque está na Bíblia (abrimos exceções para funções menos sacralizadas, como o ensino na EBD, em Seminários e as missões), mas a Bíblia orienta expressamente nos Salmos um culto de adoração com instrumentos de todo o tipo, aplausos e coreografias. Então aludimos para o fato de que o texto representa um condicionante cultural, próprio do médio oriente antigo, mas não aludimos qualquer condicionante cultural do patriarcalismo judaico ao texto acima; aludimos ainda ao fato de que somos uma comunidade neotestamentária e, por isso, costumes do Antigo Testamento não representam nossa regra de fé e prática. Então, desabamos quando vamos a Tiago 5, no Novo Testamento, e vemos lima ordem explícita para a unção dos enfermos com óleo, com uma tal oração "de fé". Tão inútil é a fundamentação do ministério pastoral feminino usando textos do tipo "Raquel era pastora de ovelhas", até porque não existe base literalmente bíblica sequer para o modelo de ministério pastoral masculino conforme o temos atualmente. A palavra "pastor", por exemplo, foi usada no Antigo Testamento em relação à liderança política de Israel, aos príncipes e reis. No Novo Testamento, a palavra "pastor" nunca aparece como título de oficiais da igreja primitiva, mas como atividade a ser desempenhada, ou seja, a de "pastorear" (Ef. 4. 11). Ali, os termos são epíscopos (Bispos) e presbíteros (anciãos).

Diante do exposto, parece que queremos criar uma confusão aqui, não é mesmo? De forma alguma. Como dissemos no início, queremos fomentar reflexão para a utilização amadurecida do texto bíblico. Essa avidez em relação às investigações áridas em tomo do texto bíblico, destituídas de sentido e que não iluminam com novas luzes sobre seja o que for, tem embotado nossa sensibilidade para com a realidade existencial da experiência bíblica.
Na afirmação básica da Bíblia ao declarar-se Palavra de Deus, não se trata principalmente do que deva ser cegamente aceita em razão da autoridade de Deus, mas sim de que ela é reconhecível pelo seu poder transformador e de libertação. A Palavra de Deus é reconhecida na experiência verdadeira, aqui e agora, porque opera algo em qualquer pessoa que realmente a escuta.
Transforma totalmente a existência de quem sabe ouvir (Jeremias 23 :29 - "como fogo e como martelo que esmiúça a pedra"). Assim, São Paulo escreve aos, Tessalonicenses: "Damos graças a Deus, constantemente, por este fato: que ao receberdes a palavra de Deus, que ouviste proferida por nós, a aceitastes, não como a palavra de homens, mas como aquilo que ela realmente é, a palavra de Deus que está atuante em vós que credes" (1 Tes. 2.13).
Entretanto, esta "operação da Palavra de Deus, penetrando o nosso ser mais íntimo, é mais do que um comunicar a luz. É um novo nascer; o início de um novo ser" (MERTON, op. cit, p. 8). Isso está bem evidente no encontro entre o acadêmico Nicodemos, oficial da religião e a palavra viva, Jesus Cristo, que opera no poder vivificador do Espírito.
Nesse sentido, Paulo faz contrastar o estudo da "letra", que mata, com o poder vivificador do Espírito, que é a verdadeira comunicação pela qual Deus se manifesta. Escrevendo aos coríntios, Paulo quer que compreendam que a comunicação que ele lhes faz da mensagem de Deus, não é questão de papel e tinta e sim que se trata de uma nova vida que neles brotou: "Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é sabido que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo ... porque a letra mata, mas o espírito vivifica" (II Cor.3:2-6).

Por: Marcos Antônio Miranda Bitencourt é Pastor, Psicólogo Clínico e Mestre em Teologia.
Professor do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife.
Imagem: Internet-Google imagens